Filtro de Mentes

A verdade e a verdade disciplinada

O mundo, e não só ele, mas o universo mantem seus motivos guardados em gavetas espaciais tão grandes e fora da nossa dimensão que nem conseguimos ver. Alguns, talvez.

Imagina a visão de uma formiga andando no chão da cozinha em pleno horário de almoço. A pertubação é notada, mas não compreendida. É possível que a maioria delas nem saiba que são pés humanos. Talvez uma saiba. Talvez uma tente avisar a todos que aquele horário não é o mais adequado para sair do formigueiro. Mas ela é a única que enxerga a verdade. As outras se encontram fixadas em sua pequena e limitada visão, ditando limites para interpretação e se privam, então, de uma possível evolução. Mas não devemos culpá-las: toda verdade tem seu momento certo de ser divulgado.

Um dia, talvez, mais um papel caia do céu, vindo de uma gaveta espacial, com motivos escritos em uma dimensão diferente. Espero que tenhamos alguém – indisciplinado – capaz de ver além.

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Bloqueio

Você se fecha.

Você se fecha pra mim.

Eu que sou água, transparência

Eu que deságuo emoções nos nossos encontros

Eu que sou verão, primavera e outono,

exceto o inverno.

As portas, janelas e cortinas sempre abertas

Mesmo se houver chuva, daquelas que molham um pouco a folha de papel

E você…

Bloqueio.

Ainda não disse que te amo.

Ainda não disse que te amo.

É coisa minha, que entala a garganta, que faz minhas cordas vocais de pula cordas. E a vontade existente espera sua vez, mas essa coisa, egoísta, não dá a vez. Também, pudera! Essa coisa quer dançar tecido nas cordas, e não pulá-las!

Mas tudo bem, quem sabe elas duas não fiquem amigas e ensinem uma a pular e outra a Amar.

Capistrano

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A Cabana Vermelha

Quando o sol batia na cabana vermelha, o corpo dela ficava rosa na imagem nítida da câmera do celular, e aos meus olhos, brilhante, magnifico.
Suas unhas naturais tinham um brilho cativante que guiavam meus olhos para onde fossem. Nunca pensei que seria domada assim. Em minha mente brotavam xingamentos e declarações de amor, e eu me sentia confusa.
Ela vestia um vestido branco, o qual precisei tirar, pois aquele ventre curvo colorido pelas cores da cabana precisava ser visto. E aquela flor vermelha sorrindo para mim, que fora descoberta sem querer já que não vestia nada além daquele vestido branco, me surpreendera como um animal sendo capturado por trás numa fuga.
Senti minha vida se esvaindo, sendo transferida de mim para ela em raios de luz, em ondas vermelhas.

O sorriso.

Seu sorriso toma todo o espaço: se torna o único alvo dos meus olhos.
Esses que um dia observara tanto, sorria, chorava e que era totalmente sensível às emoções do espaço, hoje não vê mais necessidade em observar outro a não ser seu sorriso perfeitamente simetrico.
Por milhares de motivos físicos e psicológicos. Por ser esporádico. Por ser único. Por meu tamanho ser proporcinal ao meu vício.
Porém, algo é certo: ao vê-lo, uma série de sensações percorrem meus nervos oculares, ricocheteiam em meu cérebro e desce minha espinha em forma de choques elétricos terapeuticos.

2797Capistrano

Uma pausa pro café: monólogo pra ninguém.

Não um bate papo em si, mas um monólogo gostoso e necessário de se fazer:
Leio suas palavras com um nó frouxo na garganta que vai se apertando até o ponto final.
Me questiono sobre o que exatamente se refere. Me questiono o que você está vivendo nesse exato momento.
Não consigo (ou não quero) aceitar que possa ser sozinho sem mim. Que possa gostar de ser sozinho sem mim.
Eu queria ser sozinha contigo. Estava feliz com essa ideia… era meu ponto gravitacional, todo peso dos meus atos se dirigia a isso.

Sabe, eu não sou um bicho. Não um com apenas uma cabeça. Sou complexa, então insira quantas cabeças julgar necessária em minha imagem. Preciso de solidão também… mas daquela pequena solidão, de compartilhar as coisas com uma pessoa só, de viver seu mundo, de viver no seu quarto escuro com cor de madeira.

Sinto saudades.

Estou ocupando minha mente para não pensar nisso. Porque se eu pensar… vou desabar.
Me imagine caindo nas lembranças e nas palavras ditas e escritas, e nas músicas, e nas luzes que vimos, nos filmes aos quais assistimos, nos toques que nos demos, nas sensações. Muita coisa, muitos anos.

Não sei se conseguirei me curar.

Fim do café.

– Capistrano

Análogos inconstantes

Se duas montanhas; duas depressões

Se três relevos; três encaixes

Se duas almas; um corpo

Uma crença popular clichê que vence o tempo e a ciência que é essa de acreditar que quando se ama alguém dois corpos ocupam o mesmo lugar.

Ninguém é obrigado a acreditar ou viver tal baboseira, mas, se o fizer, virá me contar – por favor – do primeiro dia que se sentiu feliz.

Capistrano

Aroma

É o metro quadrado mais cheiroso do planeta.

Embora a janela permaneça sempre aberta e o vento seja um visitante assíduo, os aromas de amores ainda circulam por lá. Como se fosse um ótimo meio de proliferação onde qualquer tipo desse sentimento [amor] crescesse e se reproduzisse rapidamente. Hoje em dia, porém, só uma pessoa lá reside, e sofre, sufocada de tantas lembranças de bons momentos, de perdas ruins.

Se pudesse, escancarava mais ainda as janelas.
Mas seria inútil, pois eis o problema: a porta está sempre aberta.

– Capistrano