Filtro de Mentes

Mês: abril, 2013

Mudanças físico-verbais.

Tô com uma saudade inexplicável de capturar tua luz bem devagar, com direito a pequenos borrões na imagem só pra lembrar que tu és diferente, que não és intacto, estás em contante mudança. Dá um prazer passar os dedos sobre os teus contornos… Não estou tocando-te, eu sei. Mas, sabes, és tu de qualquer jeito.

Peguei outra fotografia agora. Essa não foi bem feita: quadrada, congelada, nítida. Não és tu. É teu corpo. Não tem tua alma. Lembrei agora de quando veio a minha casa pela primeira vez. Entrou, quieto, no meu quarto e sentou na cadeira do computador. Rodou um pouquinho, assim como eu sempre faço, e ficou quieto. Eu sorri e disse que podia ficar à vontade. E com isso eu quis dizer: podes mudar, assim como faço, usar o tu e o você, sorrir e gritar, sentar e avançar – contanto que seja em mim.

Sabe, mudei. Você também. Tão bom isso. Olha. Uma estrela cadente acabou de passar. Passou. Ah, te amo.

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três vezes vinte

3 quilometros de sono,

mas antes 20 metros de energia

quero dormir logo.

ah, 60.

a unidade?

talvez 60 sonhos.

Invadiu-me, menina-sol.

O pequeno vestido de malha branca com alças finas porém não o mais fino possível, deslizou delicada e levemente pelo pequeno corpo dela até um pouco abaixo da cintura, pois prendera no quadril mais bem contornado que meus olhos puderam ver e minhas mãos irão tocar!

Um perfume doce passeou pelo quarto e um canto veio até mim dando piruetas no ar… O rosto dela corou e então eu percebi que estava observando-a demais. Minha pequena princesa.

– Não olha agora – Ela pediu. Eu virei e então desvirei, quase no mesmo segundo. Mas para desfaçar tampei meus olhos com as mãos, deixando uma brecha para que pudesse enxergá-la. Estava mesmo linda desajeitada em minha frente. A calcinha caminhava pelas pernas até ser encaixada na área devida. Ela sorriu quando se viu pronta, mas insistiu em ajeitar um pouco mais os seios. Eram pequenos e lindos. Combinava com a delicadeza do corpo dela… Perguntei antes de tirar as mãos. E ela me respondeu com um beijo. Consentiu.

Colocou minhas mãos em sua cintura e eu pude perceber que ela estava apoiada nas mãos e nos joelhos em cima da cama. Não me empurrava para trás, mas avançava. Em instantes, estava ajoelhada em minha frente. Minha mão permaneceu onde estava, o que a decepcionou. Sorri, e então coloquei-a em meu colo. Minha perna direita entre as duas ela. Deslizei minha mão pelo tronco, de baixo para cima, e em seguida ao contrário, levantando e abaixando o vestido de dormir. 

O tecido deslizou por algum tempo entre a cintura e meus dedos enquanto a minha boca abraçava a dela em movimentos musicados. O silencio de Beethoven. Um silencio que conturbava, acalmava, conturbava novamente…

Abri os olhos e assim percebi que o sol estava se pondo. Ela sorriu pra mim na frente dos raios vermelho-alaranjado que invadiam o quarto pela janela. Eles pareciam saber o que fazer. Ela me invadiu. Ela parecia saber o que fazer. E sabia. Fui dominado. Um sorriso e pronto, capturado. Uma armadinha clichê: rastros de um papo interessante, alegre e inocente e uma gaiola de sorrisos sinceros. Ela me invadiu como os raios do sol invadiram o quarto.

Em instantes eles foram embora. Ela não. Continuava a ser minha. Com vestido levantado, calcinha molhada, língua na minha, mas minha. Eu sou dela, mas ela é minha também. Digo isso porque sei que esses beijos não seriam da mesma forma na boca de outro homem. Essas mãos não seriam tão macias no corpo de outro homem. Ela não seria dominante e ao mesmo tempo delicada quando envolvida nos braços de outro homem.

O amor foi feito. E tão bem feito… Sorri no final, enquanto aquelas íris castanhas olhavam pra mim quando seus cílios grandes não se encontravam. O ultimo raio de sol passou por um instante no olho direito e o castanho ruborizou. Eu vi o sol. Senti as chamas. As chamas eram raios que invadiram minha alma pela janela dos olhos.

Fui invadido…

– Capistrano

Canção do Amor Imprevisto

Eu sou um homem fechado.
O mundo me tornou egoísta e mau.
E minha poesia é um vicio triste,
Desesperado e solitário
Que eu faço tudo por abafar.
Mas tu apareceste com tua boca fresca de madrugada,
Com teu passo leve,
Com esses teus cabelos…
E o homem taciturno ficou imóvel, sem compreender
nada, numa alegria atônita…
A súbita alegria de um espantalho inútil
Aonde viessem pousar os passarinhos!

Mario Quintana