Filtro de Mentes

Mês: maio, 2013

Sonho de Sete Passos

Ela estava dormindo ao lado de seu amado, até que, às cinco da manhã, as estrelas no céu brilharam tão forte antes antes de serem absorvidas pelo sol, que as pálpebras dela tomou uma cor enrubescida – quando ainda fechadas, despertando-a. Assim que inclinou seu corpo, seus olhos se dirigiram às estrelas que acendiam e apagavam numa velocidade e intensidade extrema. Maravilhou-se. O homem que do seu lado estava, coberto pela metade pelo cobertor, moveu-se um pouco e, sem querer, fez carinho numa das pernas dela. Fez ela sorrir. Quando ia retribuir, um senhor chinês apareceu em sua janela, e estendeu a mão. Num gesto brasileiro-africanizado tomou as dele com as suas duas mãos e beijou as nas duas faces. Ele não se assustou, mas sorriu. Um sorriso tão grande e sincero que contagiou. Ela olhou o céu mais uma vez, para ter certeza de que o motivo de ter acordado precocemente ainda estava lá. E estavam. Mas por pouco tempo.
O senhor chinês, mestre em wushu, abandonou as mãos dela e se dirigiu até a varanda, calmo, assim como chegou. A serenidade que o mesmo emitia invadiu a alma recém acordada da mulher, que não hesitou em pular a janela baixa e segui-lo. Antes, beijou seu parceiro, apoiou-se com os pés na cama e pulou, liberando-se dos resíduos de sono que ainda haviam nela e que possuíam todo o quarto.
O Sol nascia e o mestre chinês alongava-se observando a grande esfera flamejante descobrir-e de um conjunto de montanhas. A face da mulher entristeceu por um momento por não poder mais ver o céu com pontos cintilantes iluminando seu resto de noite. Seus braços levantaram com o auxilio de uma mão enrugada, e sua coluna estirou-se junto ao movimento do Sol. Seu tronco absorveu parte da luz divina do deus do fogo. A consequência foi um rasgo branco na parte inferior de seu rosto. Seus olhos cerraram e em suas pálpebras apareceram um rosto enrubescido que lhe era muito conhecido: o homem que em sua cama dormia angelicalmente. O senhor chinês, que além de mestre em uma arte marcial típica de seu país era um sábio não reconhecido, enquanto alongava o corpo dela, disse pausadamente com a mais calma respiração já vista: – O que vês acordada é o reflexo de quem vê-te dormindo. – Pôde flutuar junto a ele quando ouviu tais palavras. Sabia que este efeito era proveniente do modo da fala, não do assunto.
Abriu os olhos: sete estrelas estavam ainda lutando contra o sol no céu. Teimosas. Sete minutos tinham passado desde que tinha despertado, disse o velho sábio. Assim, desapareceu, ela não explicar para onde ele tinha ido. Talvez mostrar a guerra de deuses solares a outras pessoas. Só soube dizer que dois braços abraçaram sua cintura e um rosto encostou em seu pescoço. Tais palavras entraram acariciando seus ouvidos: Amo você.
Imagens flutuaram em sua visão cerrada pelas pálpebras: Estrelas, carinho nas pernas, beijos nas mãos, sol, absorção, sorriso e, sim, amor. Sete passos para uma manhã. Feito, acordou.

– Capistrano.