Filtro de Mentes

Mês: agosto, 2013

O deslize da fada.

Quando o sol nasce, sinos tocam amigavelmente ao redor de sua cama. Não são sinais. Você abre os olhos e sorri ao perceber o brilho extraordinário de quem te despertou. Recebeu um beijo antes de acordar, mas nem percebeu. E se o fizesse, corresponderia. Ela era quem conviveu contigo por todos esses anos em que permanecera fisicamente intacto. A sua pequena e brilhante amiga esteve ao seu lado sempre. E você agradece com toda a sinceridade existente em você. Foi ela quem saiu todas as vezes contigo para procurar a tal mão que todos nesse lugar precisam. E hoje é mais um dia.

Com um pulo da cama, pôs-se de pé e num instante estava pronto. O café era por conta do caseiro que visitariam aquele dia – ou noite, no horário local.

Mais um dia no mundo dos que crescem, dos que veem a velhice como algo natural, necessário. Ele não concordava. Aquela realidade não poderia ser dele. E alguma garota devia pensar como ele. E lá estava ela: Wendy. A filha mais velha, irmã de dois garotos e mãe de uma cachorra gorda e velha que comportava-se como um filhote. Peter Pan sabia que ela deveria ser escolhida, pois compartilhavam do mesmo pensamento: crescer, NÃO! Sininho, a velha amiga de Pan, também sabia que Wendy era a humana perfeita, se realmente houvesse a necessidade de mais humanos naquele mundo. Pan e Sininho era uma dupla e tanto, mesmo sendo ela uma fada. O que importava? Eles eram dois e um ao mesmo tempo.

Ciúmes. Era isso que Pan causava quando mimava a Mãe Wendy. Mãe cozinhava, Sininho também.  Mãe acordava todos os meninos, ela também. Mãe contava histórias… E isso era uma falha da pequena fada. Todo som que emitia resumia-se a sinos tocando.

Pan e Wendy formam uma nova dupla: Pai e Mãe. E isso significa que Sininho era apenas uma amiga. E todo mundo pode ocupar um lugar nessa história.

Peter amava Wendy, que amava Peter, que admirava Sininho, que amava Peter, que não sabia disso.

Restou-lhe então conformar-se: o amor da sua vida era apenas seu amigo.

Capistrano.

Alpinistas sociais.

primeiro

segundo

terceiro

pico

dois

quatro

oito

metros

acima do chão

acima do feudo

acima do mercado

– acaba o ópio –

quarta

quinta

sexta caverna

mobiliada

industrialmente

“in

for

maçã

o”

alimento secular

de mercado

a

dezesseis

trinta e dois

sessenta e quatro

quilômetros

do ópio social

MARX!

voz gritante surge

em seguida armas

armados

armazenam

o capital

morre:

um

dois

três

quatro

cinco

mil

homens de rua

rua de homens

alpinistas param

descem

sobem

no fim tudo para

o dinheiro para

o ópio para

os gordos param

os magros param

in

for

maçã

o

  • pára

arma

  •  para o povo
  •  pára

cegos

surdos

mudos

  • para sempre.

por enquanto

alpinistas

escalam

montanhas

sociais

para

parar

dinheiro

ópio

um

dois

quatro

dezesseis

trinta e dois

sessenta e quatro

cento e vinte e oito

duzentos e cinquenta e seis

                           quinhentos e doze

                                              quilômetros

                                                                       …

– Capistrano.