Filtro de Mentes

Mês: setembro, 2013

O fim de tudo, o incio de dois.

jyrgyipnAbriu os olhos e um círculo de fogo havia se formado na clareira da floresta. Estava dentro dele, como um ser protegido por alguma magia de bruxas do interior. Mostrava-se bem, sem sentimentos de medo, afinal o fogo não avançaria de jeito nenhum; estava ciente disso.

Sua roupa se resumia a um pano que protegia suas regiões sensíveis, entre-pernas. Havia tinta em seu corpo. Pintura típica de índios antigos da região onde nascera que representavam a reprodução. As cores quentes eram ainda mais aquecidos com o calor do fogo, da feminilidade da mulher.

A Terra vibrou. Ela estava atenta ao+s passos que poderiam percorrer a região. Levantou-se afim de avistar o ser e, assim que soube que era o homem que havia escolhido para o momento, pôs-se a dançar. Com um joelho flexionado e outra perna estendida ao lado do corpo, iniciou seu ritual. O fogo deveria cessar após a dança acabar e o homem deveria esperar até que a calmaria envolvesse o local. E assim foi feito. Após o fogo descer até não aparecer mais, a lua pôde iluminar o ambiente e dar um tom mais prateado aos lagos da região. Porém, o vermelho já predominava no corpo dos dois. Era uma guerra de cores.

Sobre o corpo do homem, estava a mulher, com sua cintura em movimentos periódicos, mãos agonizadas, cabelos indecisos, balançando a favor da brisa. As mãos dele agarravam, as unhas arranhavam a cintura dela. Vez em quando acariciava a barriga que contraia freneticamente sobre ele.

E, enfim, a lua venceu. Sua luz prata engloba a vermelha. Eles se abraçam, o homem e a mulher, e lá ficam, brincando com suas tintas até o cessar da lua.

 

– Capistrano.azcedoh2

As melhores coisas acontecem quando se está dançando.

Nesta caixa de tijolos, onde a sua música escala as paredes e andam sobre o chão, circula meu corpo, em piruetas, saltos e balanços. Sua música é sua alma, você disse. Minha dança é minha alma, se quer saber. Me conheça.
Quando direciono meus braços a seu rosto com as mãos girando sob comando dos dedos centrais, te chamo. Chamo porque quero que dance comigo, quero que sinta o que sou; viva uma lua de mel indiana.
Você nunca dançou, no entanto, já sentira a alma de tantas. Já esteve no palco, em cena, entre braços e pernas de dançarinas. Estava parado no centro do palco, com a respiração variando, a pulsação se elevando, mas você nunca dançou.
Estou de costas para você. Mostro-lhe outras de mim, como um convite, um prévia, para se juntar a mim. Um quarto de volta: a mão direita te chama. Meia volta: a mão esquerda te chama. Um quarto de volta: meu corpo te chama, te busca, te traz. Sua música se recolhe em seu corpo e eu hesito em pensamento. A música parou. Há apenas dança no quarto. Ainda não está no ritmo correto. Não que exista o errado, mas as melhores coisas acontecem quando se está dançando a dois.
Estamos no palco. Em cena: há luzes fracas e amareladas direcionadas a nós dois. Algum verde azulado nos envolve. Seus braços são grandes e abraçam minha cintura, deixando meu tronco descer num cambré em rotação. Seu nariz segue o nu da minha pele, e meu cheiro e sua respiração saem daçando no ar. Ao subir, são meus braços que envolvem seu pescoço,e minhas pernas, sua cintura.
A música reinicia. Devagar, se une à dança em movimentos calmos e cuidadosos como se não soubesse o que fazer. A dança sorri, e encaixa-se na música como se já soubesse o que fazer. Não sabe. Eu, como sua moradia, sei que essa alma apenas sente e por isso é tão pura. E por isso nos tornamos tão perfeitos.
Você está entre os braços e as pernas de uma dançarina. Nossa respiração oscila, a pulsação se eleva e nós dançamos. Uma dança eroticamente pura, onde eu guio sua alma e você os meus desejos. Eles saem de nós dois e dançam numa elipse formamda ao nosso redor e se desfaz numa unica linha. E somos isso. Somos uma reta de pontos congruentes, mas não competimos; compartilhamos. Somos os gatos siameses da dança. Com passos, saltos e sons sincronizados.
E então deixamos o palco, ao som dos aplausos da minha e suua alma e voltamos à nossa caixa de tijolos, de mãos dadas. E então você me diz: “As melhores coisas me acontecem quando estou dançando” E entre um beijo, completa: “com você”.

– Capistrano.

Camada 1 (Máscara)

Solo e árvore.

Mulher,

seu corpo está ligado ao meu como a maior e mais forte árvore está ligada ao solo.

Eles se nutrem, compartilham vida.

De ti um fruto brotará e a vida nascerá vinda de mim e de você.

Mulher, árvore da vida, laça suas raízes em mim que sou seu solo, que te apoio.

Me dá sentido, mulher, porque sem você sou apenas areia roxa sem motivo de existência.

Deixa, então, nossos corpos entrelaçados da mais natural forma.

Minha terra em suas raízes.

Eu em você.

 

Sem título 2

Capistrano

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