Filtro de Mentes

Mês: novembro, 2013

É carência. Mas que seja saudade.

Há um recado na mesa: “Sente-se falta do que já teve. Não há saudades de algo que nunca provou. É carência.” O homem de estatura média para os homens irlandeses pegou o papel e leu mais uma vez antes de guardar no bolso da calça. A letra era de sua mulher-amante, ele constatou. A verdade é que ela não era de verdade sua amante. Eles apenas se viram, e…

Era tarde. O segundo dia de Novembro. Dizem que nesse mês todos estão sujeitos a conhecerem coisas novas. Talvez… nascem muitas crianças durante esse período. Faz algum sentido. O aeroporto estava cheio, bem movimentado. Seria difícil encontrar quem queria ali, se não fosse por sua altura privilegiada. Dez ou quinze pessoas depois, uma pequena mulher de cabelos claros passou pela cabine de conexão entre o aeroporto e o avião. Se pegaram sorrindo, os dois, e num abraço se cumprimentaram. Foram pra casa, trocando palavras, risos, experiencias do dia. Já em casa, passaram mais tempo trocando ideias, lembrando conversas de antes… Mas quem conversa demais, dá bom dia à cavalo. E essa foi a primeira discussão. No banheiro, inclusive. Ele tomava banho e ela penteava os cabelos. Palavras. Palavras. Ela saiu rápido. Pegou suas coisas e foi embora. Pro primeiro hotel que encontrasse. Era óbvio.

… brigaram. “Droga.”, ele murmurou. Calçou os sapatos fora do seu ritmo costumeiro e pegou a moto. Hotel um. Não estava. Hotel dois. Não estava. Três. Não… Quatro… longe demais. Voltou ao ponto de partida. Tentou as ruas do lado esquerdo da casa. Sinistra. Ela era canhota e provavelmente o papel estaria manchado de caneta por culpa do movimento da mão ao ter escrito aquelas palavras. “Ela está no 301, senhor, um momen… Não, espere!” Tarde demais. Ele já tinha entrado no elevador de carona com um hospede. A porta estava aberta. “Jolie…” ele sussurrou, procurando sua mulher. Ela respondeu com um olhar surpreso e uma felicidade mal escondida. Estava esperando que ele fizesse isso, embora desacreditasse. Sabia que fizera bem em ter escrito o bilhete, pois foi isso que o fez procurá-la. “… eu quero sentir saudades suas.
Um pedido estranho, mas sincero. Verdadeiro. Eles iam sentir saudades um do outro. Mas precisavam ao menos provar algo um do outro.

E, então, naquele quarto de hotel, se provaram por inteiro.

– Capistrano.

Os bichos e os acumuladores: um pedido de ajuda.

Baiana que cria 200 cães e gatos é obrigada a se desfazer dos animais.

Tem algo muito perigoso na paixão. Às vezes a gente não sabe medir os limites. Não sabemos quando parar, não sabemos o quanto aguentamos ajudar quem a gente devota nossa paixão. É muito comum ver pessoas que tem 20, 30, 60 gatos ou cachorros em casa, pela dificuldade de por em adoção um animal com problemas de saúde ou de raça indefinida ou por descuido na reprodução, por exemplo. Esses são os acumuladores de bichos e, seja lá qual for o motivo, não é bonitinho, não é protetor.

Para criar um animal em casa, você teve ter condições. Não é só o amor, eles precisam se alimentar. 5 pacotes de ração por mês dá para sustentar até 5 cães, se não me falha a memória. Eu sei disso porque eu sustento 5 cães. Castrados. Em um ambiente aberto. Agradável para eles. Eu poderia ter colocado todos no apartamento onde moro atualmente se tudo isso fosse sobre mim. Não é. Eu abri mão dos meus caprichos para dar boas condições de vida pra todos eles.

Márcia, essa mulher do vídeo, tem 200 animais em casa e agora o governo exige que ela se desfaça de todos eles. O governo que deveria ter cuidado da saúde pública castrando e incentivando a adoção desses animais, exige que ela se desfaça de 200 bichinhos. Sim, é uma grande quantidade. Sim, faz barulho, incomoda a vizinhança. Sobre ela ter condições ou não de criar todos eles: não vem ao caso. A intenção não era ficar com todos eles. Era resgate, medicação, adoção. Por que não fez? Porque, infelizmente, animais sem raça definida sofrem um preconceito imenso. Não sei mesmo por qual motivo. “Tenho” cinco cachorros vira-lata, todos eles são adoráveis, lindos, e espertos. Eles podem ser tão bons quanto os de raça. Os “meus” não estão para adoção, mas os de Márcia sim. Tenho visto muita gente querendo adotar cachorros e/ou gatos. Olha a vez de vocês aí! O número de contato está no vídeo. (Eu recomendo assistir pela presença ilustre de Ana Rita Tavares e pelas justificativas de Márcia.) Ajudem!

Transforme sua paixão em amor. É mais libertador, mais humano, mais natural, mais animal, até. Esses pequeninos agradecem. ♥

Wendy, uma das minhas companheiras. ♥

Wendy, uma das minhas companheiras. ♥

No mar nós somos ondas.

Vozes são ondas

E nós somos ondas

– no mar nós somos ondas –

Eu quebro na praia

e você logo em cima de mim

e na areia nos misturamos ferozmente

levando tudo o que tem pela frente

areia, vaza-maré, sandálias, baldes de criancinhas

no fim, voltamos a ser ondas separadamente

e se dessa parte não gosto, logo te digo:

querido, não se acanhe

eu ainda tenho um pouco do seu mar em mim.

– Capistrano.

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