Filtro de Mentes

Mês: fevereiro, 2015

O quarto.

Algumas vezes, quando me sinto mal, mudo meu quarto. E funciona. A dor passa, a tristeza passa, e o modo de ver as coisas muda. Talvez porque meu quarto seja eu, em essência. Assim como ele, preciso de mudanças, de retoques. Tenho em meu quarto o que preciso. Tudo. E estou bem. Mudando e retocando.

 

 

Falsa grandeza.

Da sua grandeza ou pequeneza vivem os Homens a se classificar. Grandes construções, famílias e contas bancárias elevam cada vez mais o corpo que tais almas vivem. Almas presas, cercadas de ambição, ganância e outros pecados capitais limitadores da essência da Vida.

São grandes, esses Homens, que não enxergam o próprio umbigo, de tanto que suas cabeças estão elevadas. Olham para cima, mas não avistam o céu. Admiram a ponta do seu nariz, apontando para o outro lado do arco-íris, onde há ouro. Muito ouro. Mal sabem que nunca alcançará tal horizonte, pois a distância não se altera, mesmo que ande o máximo de que puder…
Esses homens não veem o meio, apenas o fim. E por isso suas vidas são vazias.
Eis, então, que um dia um Grande Homem anunciou a vinda de um cometa ao planeta deles. Todos se desesperaram… Toda a vida que construíram se acabaria em alguns segundos, quando a formação rochosa colidisse em seu território.
Aquela rocha que vivera sua vida inteira numa imensidão, ciente de sua pequeneza, de sua insignificância, agora, nos olhos de Grandes Homens, se tornara Enorme. Impotente. E eles, aos próprios olhos, pequenos. Aflitos.
“De que adiantou toda nossa preocupação em sermos notáveis”, algum Homem se questionou. Muitos concordaram com sua indagação e se arrependeram do que fizeram de sua vida. E, então: fim.

A vida deles fora destruída: casas, prédios, torres, pontes, bancos. Mas a Vida permanece.

Capistrano.