Tédio de Domingo

No corre-corre do dia-a-dia de labuta seres humanos obcecados por relógios e contra-tempos se veem perdidos nos dias de domingo. Se encontram parados, agoniados, tediosos, pois seus relógios não correm; Parecem parados a todo momento. Seu ambiente não muda: seu sofá ou sua cama parecem ser os únicos lugares do mundo.

Mas na verdade, é como um dia qualquer. Um mesmo dia com as mesmas vinte e quatro horas, com o mesmo sol, com a mesma lua. Por que só domingo que é tedioso? Porque eles não param para pensar, para se aproveitar, para descansar, para se desapegar, se despreocupar. Sua labuta da semana se repete a cada hora de domingo em suas cabeças. Os tempos, os contra-tempos passados. Os tempos, os contra-tempos futuros.

Na calmaria de domingo, na oportunidade de preparar um café e degusta-lo sem pressa, na oportunidade de se contemplar com um filme, com um livro ou um afago de um ser qualquer… Nessa situação os seres humanos continuam obcecados por relógios e contra-tempos de um dia em que tempo não se é medido.

– Capistrano